O MICE visto por inteiro

3º Congresso MICE Brasil apresenta os números do mercado

Introdução

O MICE visto por inteiro
Tema do Congresso MICE Brasil 2018

Comunicação não é o que você fala, mas o que o consumidor entende. A frase parece óbvia, mas impactou centenas de profissionais do setor de eventos, que participaram na manhã do primeiro dia do Congresso MICE 2018, realizado durante a 16º edição da Feira EBS.

Na ocasião, a plateia foi exposta à opinião de pessoas de diferentes classes sociais sobre propagandas de marcas renomadas e, ainda, instigada a pensar sobre o novo comportamento do seu público alvo. A conclusão? É preciso rever conceitos para começar a atender aos anseios do novo consumidor, que não se contenta mais com ações publicitárias estereotipadas e tem buscado encontrar a sua personalidade nos produtos.

Os aspectos levados em consideração pelo consumidor na decisão da compra foram apenas um dos assuntos abordados no primeiro dia do Congresso MICE Brasil, que trouxe ainda clientes e agências driblando a crise, empresas valorizando mais o preço do que a criatividade, ao mesmo tempo em que criativos tentam superar a concorrência, muitas vezes desleal. Os debates aconteceram pela manhã reunindo especialistas de diferentes regiões do País.

A abertura do congresso foi feita pelo CEO do Grupo EventoFacil, responsável pela organização do evento, Marcello Baranowsky, que destacou a presença de 80 expositores para atender todos os tipos de demanda. Empresas de brindes, destinos turísticos e fornecedores de produtos e serviços ocuparam um dos salões principais do Centro de Convenções, que permaneceu movimentado do começo ao fim.

Uma visão macro da economia com foco no MICE

O keynote speaker foi o presidente do Instituto de Pesquisa Locomotiva, Renato Meirelles, que interagiu com os participantes ao apresentar uma visão macro da economia voltada para as demandas do mercado M.I.C.E. (Meeting, Incentives, Conferences and Exhibitions).

Renato Meirelles
Renato Meirelles, keynote speaker no 3º Congresso MICE Brasil

Com a frase "existe amor no Excel", ele traçou um perfil do atual consumidor e surpreendeu ao mostrar que nesse novo cenário, diretores de empresas e donos de padaria dividem a classe A, assim como operários e professores se encontram na classe C. "As empresas não conseguem enxergar que apenas identificar como classe média não é o suficiente para conhecer o consumidor. O bolso sozinho não explica a cabeça", mencionou Meirelles, apontando os vetores de transformação no comportamento do público: régua de qualidade, democratização tecnológica e empoderamento criando novas identidades.

E nessas novas identidades, segundo o colunista da Revista Istoé, encontram-se consumidores menos óbvios, que buscam marcas que os apoiem, além de aspirarem por propagandas com a beleza possível, com a imagem da vizinha que deu certo ao invés da loira magra e jovem. "Estamos mais preocupados em segmentar o público e não buscamos entender o que une as pessoas e não o que as separa. Há um descolamento das empresas e da publicidade com o consumidor. Dados revelam que 103 milhões não se identificam com as propagandas de TV", disse.

O panorama na visão de Feiras e Eventos

O diretor Superintendente da FENAPRO e Sócio Diretor da ATP, Alex Pagliarini, mediou os dois próximos painéis, depois de mostrar um panorama do setor a partir de dados reais. As informações tiveram como base uma pesquisa realizada no no mês anterior, na qual foram ouvidas agências e clientes atuantes nos segmentos de eventos, feiras e incentivos.

A questão da concorrência com maioria sendo feita job a job foi uma das questões abordadas por Pagliarini e depois debatida entre profissionais do setor. O impacto significativo da instabilidade política nos negócios e a expectativa positiva para 2018 foram outros pontos. "Eventos, no momento agudo de crise, podem sofrer impacto negativo", afirmou o VP Comercial da Reed Exhibitions Alcântara Machado, Paulo Octávio.

Painel Feiras e Eventos
Alexis Pagliarini, Paulo Octávio, Ana Carolina Melo, Fernando Guntovitch e Fernanda Gaspar

Já Ana Carolina Melo, da área de projetos especiais da HPE, ressaltou os efeitos sentidos pela empresa com a recente greve dos caminhoneiros. "Sentimos sensivelmente a paralisação, tivemos eventos cancelados, prejuízos para a empresa. O budget previsto foi afetado e vai ter que ser adequado ao longo do ano. Será um ponto a mais de atenção, todos vão ter que trabalhar mais justo do que o previsto".

O CEO da The Group, Fernando Guntovitch, que será jurado do Cannes Lions neste mês, garante que o Brasil está muito bem em criatividade em comparação aos estrangeiros, cujo cenário econômico e político é melhor. "Precisamos oferecer o melhor para os clientes e relevância é a palavra que resume tudo. O meu foco é totalmente no trabalho, já que não posso fazer nada em relação a crise política".

O impacto do digital também foi questionado pelo sócio da ATP. E a resposta foi unânime, ou seja, o virtual é o complemento ideal para a presença física. "Sempre vamos precisar da presença para gerar experiência, além de ser necessário para atender o público interno", apontou Fernanda Gaspar, do departamento de comunicação e marketing na EDP Energias do Brasil. "A rede social veio para ajudar. Podemos crescer muito usando o digital", complementou Guntovitch.

O panorama na visão de Incentivos

Na vez dos especialistas atuantes em Incentivos, agências garantiram que as melhores oportunidades aparecem no momento da crise. "A crise obriga você a inovar. Em ano de crise, quase não damos conta da demanda em convencer de que uma ação motivacional ou experiência são importantes", disse a fundadora e presidente da Mark Up, Silvana Torres que, em 2018, decidiu ser mais seletiva, qualificando as concorrências em que devem entrar. A head de promoções e incentivo da The Group, Ana Boyadjian, afirmou que a empresa se valeu da crise para colocar as ferramentas em ação. "Tudo isso que vem acontecendo é oportunidade para trazermos expertise de forma estratégica".

Painel Incentivos
Alexis Pagliarini, Silvana Torres, José Zuquim, Ana Boyadjian, e Lívia Andere

Sobre a premiação em viagem ou em dinheiro, outro ponto da pesquisa do Grupo EventoFacil, houve um consenso de que depende da necessidade ou objetivo do momento. "O prêmio de viagem tem que ser esse movimento forte com o grupo que teve sucesso naquele projeto", opinou o CEO da Ambiental Viagens e Turismo, José Zuquim. "Depende muito do momento em que a pessoa está vivendo. Normalmente nós definimos a premiação, mas também escutamos muito das agências", salientou Lívia Andere, do Trade Marketing da Whirlpool Corporation.

Global Exbihitions Day no Congresso MICE Brasil

O encerramento da programação ficou para o vice-presidente sênior para América Latina da Reed Exhibitions, Juan Pablo de Vera, que falou sobre o Global Exhibitions Day 2018, o dia mundial das feiras, momento de reflexão sobre a importância dos profissionais de eventos em todo o Mundo. O destaque deste ano ficou para a superação de todos os recordes, chegando a mais de 80 países e um milhão de tweets.

GED18
#GED18 no Congresso MICE Brasil

Cases inspiradores

O segundo e último dia do 3º Congresso MICE Brasil, que teve início na quarta-feira (07/06), simultaneamente à Feira EBS, no Centro de Convenções Rebouças.

Na ocasião, especialistas mostraram o porquê de desenvolver uma cultura aliando o sonho dos funcionários às necessidades da empresa e provaram, na prática, a teoria de que colaboradores inspirados são 40% mais produtivos do que aqueles apenas satisfeitos.

“Gente é o principal ativo da nossa indústria, se não cuidarmos das pessoas esse mercado não sobrevive, pois é um mercado de conexão, contato, humanização, no qual as pessoas têm que estar no centro do processo”, afirmou a diretora de RH da Reed Exhibitions Alcântara Machado, Alinne Rosa, que liderou o projeto de reestruturação do pensamento da multinacional responsável por grandes eventos no Brasil. Foram nove meses que resultaram em três premissas para alcançar o sucesso: confiança, empoderamento e propósito.

Os detalhes da mudança foram apresentados na última palestra do congresso com o tema Futuro da gestão de talentos no mercado de eventos: o diferencial competitivo de trazer gestão de pessoas como centro da estratégia de negócios.

“Foi preciso olhar pra dentro e calçar as sandálias da humildade. Em menos de um ano conseguimos colher resultados consistentes na nossa cultura, passamos a trabalhar mais juntos. Hoje os colaboradores têm paixão e orgulho em fazer parte dessa empresa”, destacou Alinne.

Reed Exhibitions
Colaboradores da Reed Exhibitions no palco do Congresso MICE Brasil 2018

As pessoas no centro do Congresso MICE Brasil

A realização de eventos de integração como festas de carnaval, Halloween com participação de filhos de funcionários e outras celebrações marcaram e marcam essa nova era da Reed Exhibitions. “As pessoas se tornaram mais produtivas, com mais qualidade, velocidade e resultado”, afirmou a diretora de RH. Outras duas empresas seguiram pelo mesmo caminho, a GL Events e o Banco de Eventos, cujos representantes participaram do debate Colaboradores não são apenas “Recursos” Humanos, mediado por Alinne Rosa.

Segundo a diretora de Recursos Humanos da GL, Lana Salles, todas as ações da empresa buscam colocar as pessoas no centro, criando emoções para clientes e funcionários. “As pessoas têm sonhos, potencial a ser desenvolvido. Trabalhamos tentando responder as necessidades deles. Todo resultado que conseguimos é por meio desse engajamento, dessa vontade de trabalhar”, disse.

O diretor geral do Banco de Eventos, Marcio Esher, compactuou da mesma ideia. “Temos uma cultura adequando-se à realidade do momento, sempre com a premissa de que o colaborador precisa ter o senso de pertencimento”, complementou.

Recursos Humanos
Os colaboradores não são apenas “recursos” humanos

Um painel inspirador

O novo cenário de valorização do ser humano, do chamado H2H (human to human) também rompeu as barreiras do espaço criativo, atingindo ambientes burocráticos, conforme mostrou a assessora na Diretoria Estratégica e Organização do Banco do Brasil, Lidiane Orestes, ao apresentar o projeto Inspira BB, no palco do Congresso MICE Brasil 2018.

“Não é um evento, mas sim um movimento, que discute a alma humana”, ressaltou a funcionária e uma das idealizadoras do projeto, que é marcado por eventos protagonizados por funcionários.

A ideia surgiu logo no primeiro diagnóstico, quando colaboradores perceberam que passavam por um problema de identidade, com falta de reconhecimento do seu papel.

“Os funcionários precisavam fugir (do trabalho) para ter uma hora feliz. Pensamos, então, o que poderíamos fazer. Na verdade, o evento é a pontinha do iceberg, o que está visível. Buscamos compartilhar conhecimentos, pensar o ser humano, a sociedade, a família e a relação entre todos nós”.

A iniciativa consegue reunir as dádivas apontadas pela sócia-fundadora da agência Umbigo do Mundo, Marina Pechlivanis, que abriu o último dia do congresso com o painel Economia das Dádivas: tendências que podem inspirar e transformar as relações entre pessoas e marcas no ambiente MICE. “Nossa missão é tirar vocês da zona de conforto e trazer inspiração”. Estas foram as primeiras palavras da especialista, que acredita em algumas palavras para quebrar as velhas formas e garantir um circuito com foco nas virtudes humanas.

“Entramos na era do P2P onde pessoas negociam com pessoas. São cenários e perspectivas inspiradoras que nos levam para o caminho de mudança. Precisamos refletir e sair de fato do mesmo e do óbvio. Esse é o mundo de negócios novo, com dádivas como empreendedorismo, diversidade, honestidade, colaboração e solidariedade”, explicou Marina, que também mediou o debate entre líderes atuantes do mercado M.I.C.E. (Meeting, Incentives, Conferences and Exhibitions).

Participaram da discussão Lidiane Orestes do Banco do Brasil, o co-fundador e experience designer do Hacktown, Ralph Peticov, e o artista plástico – designer e contato regional do Burning Man no Brasil, Daniel Strickland. Os dois últimos eventos retratam a experiência humana, o poder do hoje e a capacidade das pessoas de viverem com total desprendimento. Isso sem contar a ausência de lucro. Dinheiro e negócios não são as prioridades.

Painel inspirador
Lidiane Orestes, Daniel Strickland, Marina Pechlivanis e Ralph Peticov

“É uma cidade de sonhadores e realizadores. É realmente transformador, um experimento social sem curadoria, espectadores e direcionamento. Representa o que realmente queremos como seres humanos”, disse Strickland, ao apresentar o Burning Man, que acontece em Nevada, nos Estados Unidos, com a presença de mais de 30 mil pessoas, que devem seguir os dez princípios que regem o evento.

Sobre o Hacktown, que é realizado em Santa Rita do Sapucaí, no interior de Minas Gerais, Peticov o caracterizou como um festival de inovação, tecnologia, comportamento e paixão, que propõe descompressão, imersão e reconexão. “O objetivo é conectar pessoas. É uma experiência tão intima e segura, que fazemos com que as pessoas se abram e se conectem sem que percebam isso”.

Ao ser questionado sobre essa mudança de eixo, de criação de novos pensamentos, saindo do ideal para o real, Ralph garantiu: “Devemos celebrar as nossas diferenças, por isso o Hacktown não levanta bandeiras. Ao mesmo tempo, eu crio ambiente onde você se sinta seguro para se expressar”. Lidiane Orestes também destacou a diversidade necessária no projeto do BB. “Estimulamos as diferenças para que entendam que dentro do mundo corporativo ele também tem que colocar quem ele é”.

Já no Burning Man, há uma valorização da individualidade. “O ser humano é muito único, individual, a sociedade que tenta nos fazer seguir um comportamento. Lá conseguimos perceber o quão bizarro é cada um. Temos falsa impressão de que somos parecidos, mas cada um é muito peculiar”, apontou Strickland.

Sobre o Congresso MICE Brasil

O 3º Congresso MICE Brasil reuniu cerca de 400 profissionais de eventos, incentivos, congressos e feiras, proporcionando um amplo debate sobre o mercado. Foram dois dias de evento na capital paulista, com patrocínio da Hoffmann, apoio institucional do Visite São Paulo, da AMPRO – Associação de Marketing Promocional, da APP Campinas – Associação dos Profissionais de Propaganda, da ABEOC São Paulo – Associação Brasileira das Empresas de Eventos e do FOHB – Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil. Como fornecedores apoiadores: Cross Host, Grupo Divi Center, Just Led Produções Visuais e Dexpo.

O Congresso MICE Brasil é criado e organizado pelo Grupo EventoFacil, um grupo de comunicação que realiza eventos próprios dirigidos aos segmentos MICE e T&D (treinamento & desenvolvimento), possui um portfólio de produtos que incluem a Feira EBS, o Congresso, o Speed Meeting (rodada de negócios), a Revista EBS, portais de conteúdo. É também criador do primeiro clube de negócios exclusivo aos profissionais deste mercado – o EBS Buyers Club.

O Grupo trabalha para gerar conteúdo, networking qualificado e negócios para toda a cadeira produtiva deste mercado, reunindo clientes finais, agências e fornecedores de produtos e serviços para eventos corporativos e incentivos.